O(s) Mito(s) do Movimento

Porquê “O Mito Feminista”?

A palavra “mito” – e o seu significado – é sobejamente conhecida. Originária do latim, mythos, significa “narrativa”, “coisa dita”, ou “história”. Na nossa linguagem corrente, é empregue como sinónimo de uma ideia ficcionada, que carece de sustentação e não assenta em factos comprovados; ou de uma crença sem fundamentos sólidos ou científicos.

Decidi dar o nome O Mito Feminista a esta página porque o feminismo nasceu e cresceu precisamente com base em vários mitos e falsos pressupostos, que pretendo desmontar com os conteúdos que serão aqui publicados.

Há toda uma mitologia associada ao movimento, e o seu maior mito começa, desde logo, com a sua definição ‘oficial’ – aquela que consta nos dicionários, que é reproduzida em todo o lado e amplificada por influenciadores, jornalistas, agentes políticos, e celebridades. Esta definição vende-nos o feminismo como um movimento virtuoso, bem-intencionado e absolutamente necessário para o progresso social, procurando a paridade e a igualdade de direitos entre homens e mulheres. É, supostamente, o “movimento das mulheres”.

Este é o primeiro ‘mito’ do feminismo – e o mais importante, porque mascara a sua verdadeira essência e intenções. Na verdade, o feminismo é acima de tudo uma ideologia, e o seu objectivo real não é a igualdade de direitos e oportunidades, uma vez que essa igualdade já é plenamente garantida no mundo ocidental. De facto, se há lugar no mundo onde o feminismo é inútil, esse lugar é o Ocidente. Mas, ainda assim, e de uma forma um tanto paradoxal, foi precisamente onde ele se ‘instalou’.

Nos países ocidentais, o feminismo norteia a nossa vida social e política, e podemos constatá-lo de inúmeras formas: com as chamadas “quotas de género”, supostamente para garantir a igualdade de oportunidades, em campanhas publicitárias, no trabalho de diversas organizações governamentais e não-governamentais, na comunicação social, nos discursos dos nossos representantes políticos.

A ideologia feminista tornou-se tão amplamente aceite e omnipresente que parece hoje uma verdade inquestionável – quase diariamente, os media e as figuras públicas que seguimos nas redes sociais nos lembram como as mulheres são oprimidas pelo “patriarcado”, e o quanto ainda falta para atingirmos essa tal “igualdade”.

No entanto, trata-se de uma ideologia como qualquer outra; e que é, na verdade, altamente questionável. Desde logo, porque o seu sofisma de que as mulheres são estruturalmente oprimidas, é falso.

De facto, aquilo que dizem ser uma “desigualdade estrutural” entre os sexos é o combustível da narrativa feminista. Nesta história que nos contam, as mulheres ocidentais são vítimas de uma conspiração masculina que pretende mantê-las subjugadas. Desde terna idade, é inculcado nas mentes das jovens este sentimento de injustiça, e assim se granjeiam as militantes para as ‘fileiras’ do feminismo, para que lutem contra o famigerado sistema patriarcal.

Neste contexto, a ideia de que um dia será possível atingir uma “igualdade” plena funciona como uma rodinha do hamster para as mulheres. Assim, são manipuláveis e alinham-se na batalha contra o inimigo. E o slogan da “igualdade de género” é apenas isso: um slogan que torna o feminismo mais palatável e, assim, facilmente aceite pelas massas. E na teoria, soa muito bem.

Há décadas que nos tentam convencer que a desigualdade de direitos ainda é um problema que urge resolver. É pertinente questionar-nos: em concreto, que igualdade pretendem, que ainda não foi atingida? Em que é que as mulheres ocidentais – que são, sem sombra de dúvida, as mais privilegiadas deste planeta – têm sido assim tão prejudicadas em relação aos homens?

A estas perguntas, respondem-nos habitualmente com estatísticas duvidosas escolhidas a dedo, outras totalmente descontextualizadas, meias-verdades ou até mesmo mentiras.

Tudo serve para alimentar a tese de que existe uma desigualdade estrutural e imposta artificialmente pelo patriarcado, porque esta narrativa é o derradeiro alicerce da mitologia feminista – desmontando-o, os outros argumentos caem como um castelo de cartas.

Mas a realidade é outra. No Ocidente, as únicas desigualdades que existem entre os sexos resultam das próprias diferenças biológicas, e estas não podem ser abolidas (nem devem) por muita força que as feministas façam para alterar a natureza humana.

Por isso, elas não estão desprovidas de razão quando dizem que a “igualdade” plena é uma meta ainda distante – e ainda bem que é. Ainda bem porque, quando falam em igualdade, aquilo que querem dizer na verdade é o esbater das características que tornam as mulheres, mulheres, e os homens, homens.

Na perspectiva feminista, o conceito de igualdade absoluta (que é tão vago como metafísico) tem precisamente este significado: o de aplanar aquilo que torna os dois sexos únicos, diferentes, complementares, tornando as mulheres mais masculinas e os homens mais femininos.

Os resultados desse empreendimento estão à vista, com consequências tão diversas quanto assustadoras, que oportunamente irei desenvolver nesta página. Mas, de um modo geral, os dados revelam que as mulheres estão mais infelizes do que antes, os problemas de saúde mental são uma verdadeira pandemia (não se devem apenas ao feminismo, é certo), a solidão é um flagelo e as relações entre homens e mulheres têm-se ressentido. Reina a desconfiança, a mágoa, ou a competição.

A isto, acresce o enorme aumento de mães solteiras e de lares desfeitos – quem dizia que não precisava dos homens para nada? –, com todas as consequências que isso gera, já que está provado que as crianças que crescem em famílias separadas enfrentam maiores dificuldades. Há, além disso, muitas mulheres que gostariam de ter sido mães, mas foram conduzidas a priorizar a carreira até ser demasiado tarde, sendo depois confrontadas com o fantasma da infertilidade.

As pretensões do feminismo são perversas, mas têm a capa da “libertação” das mulheres. O movimento diz querer “libertar” as mulheres de certas qualidades, situações ou comportamentos, quando, na verdade, se trata de os “arrancar” –nomeadamente, arrancar das mulheres a sua própria feminilidade.

Eufemismos e palavras bonitas como “libertação”, “empoderamento” e “igualdade” são uma espécie de feitiço hipnotizante do feminismo. É uma promessa do ‘paraíso’, mas é também uma novilíngua ao estilo orwelliano para camuflar aquilo que verdadeiramente pedem às mulheres: uma luta incessante, amarga e sem sentido contra um inimigo fictício plantado no seu imaginário – o “patriarcado”, ou, em concreto, os homens ocidentais.